Jornalista da Globo conta a história de vida de uma bonitense

O Jornalista Sidney Resende destaca no seu site, o SRZD.com, a história da bonitense Ritha de Kássia, que é portadora de Lúpus.

Lúpus: uma batalha de borboletas guerreira

"É uma batalha árdua a batalha de quem tem lúpus, é uma batalha constante e diária. Uma batalha que não nos abandona em nenhum momento. É uma batalha de borboletas guerreiras, que precisam de força, de apoio e, acima de tudo, de respeito." 

(Ritha de Kássia, 21 anos, portadora de Lúpus Eritematoso Sistêmico)


O Lúpus Eritematoso Sistêmico (LES) é uma doença crônica de origem desconhecida que atinge, na maioria dos casos, o sexo feminino e pode gerar uma série de complicações no corpo. As principais dificuldades enfrentadas pelos portadores da enfermidade são lesões na pele e nas mucosas, dores nas articulações, queda de cabelo, anemia, sensibilidade à exposição solar e problemas cardiovasculares, respiratórios e renais.
Ritha de Kássia, 21 anos, portadora de Lúpus. Foto: Arquivo PessoalA pernambucana Ritha de Kássia (foto) tem 21 anos e há oito descobriu ser portadora de lúpus. Em dezembro de 2004, a jovem foi internada às pressas, aos 13 anos, com quadro de derrame pericárdico e derrame pleural. Cerca de 15 dias depois da internação, veio o diagnóstico que Ritha levaria para a vida inteira: Lúpus Eritematoso Sistêmico (LES), uma patologia sem cura e com sintomas severos.
Desde então, Ritha deu início a uma batalha pela vida e por seu bem-estar, alterando hábitos alimentares, fazendo uso diário de medicamentos para controlar os sintomas e evitando a exposição aos raios solares, que podem determinar a reativação da doença. A guerreira precisa lidar diariamente com dores articulares, que se revezam entre partes diferentes do corpo.

"Mês eu estava bem, mês estava com crises. As dores articulares eram e ainda são as maiores causas de incômodo. Tinha que viajar por três horas até o Recife a cada dois meses para fazer exames e comparecer em consultas reumatológicas, o que era bastante cansativo. Mas sempre tive o apoio de minha mãe, em todos os momentos. No colégio, por diversas vezes, os colegas de classe copiavam a matéria para mim, já que meus dedos estavam com muitas dores", contou Ritha ao SRZD.

No início de 2010, Ritha de Kássia passou a enfrentar crises mais fortes e mais constantes que o habitual. Dores no peito que vinham acompanhadas de falta de ar. Um ecocardiograma diagnosticou uma alteração no pericárdio, uma estrutura que envolve o coração. Os efeitos colaterais decorrentes da medicação para o tratamento do problema foram vários: enjoos, fraquezas, perda parcial de cabelo.

Crises dificultam a vida dos portadores, que dificilmente recebem auxílio-doença

Diante de todas as dificuldades enfrentadas ao longos desses oito anos, Ritha precisou largar o emprego devido às constantes crises de dores, que por vezes a impediram de levantar-se da cama. A jovem tentou obter um auxílio-doença junto ao governo devido à impossibilidade de trabalhar, mas lamenta o fato de "não se encaixar no grupo de pessoas que têm direito ao auxílio".
"Enfrentamos inúmeras dificuldades em todos os âmbitos, inclusive no trabalho, quando os conseguimos. As crises constantes, que por vezes não nos permite sair de casa, dificulta a habilidade em qualquer serviço. Os governos não nos dão um auxílio-doença, e, nos casos que conseguimos, a dificuldade é gigantesca. Uma coisa que seria nosso, por direito, para nos cuidar melhor."

De acordo com a professora de clínica médica e semiologia da Faculdade de Medicina de Petrópolis, Solange Barilo, o LES afeta múltiplos órgãos e é caracterizado por períodos de exacerbações e remissões das manifestações clínicas. A doença, que não é transmissível nem passível de prevenção, atinge nove mulheres para cada um homem. Os primeiros sintomas aparecem geralmente entre a segunda e quarta década de vida, mas podem surgir em qualquer idade.

Apesar de não ter cura, os sintomas do lúpus podem ser controlados a partir de tratamentos com remédios para modular o sistema imunológico. O tratamento é individualizado e contínuo e deve ser feito com o acompanhamento regular de um reumatologista. Ainda segundo a especialista, não há risco de as gestantes portadoras de LES transmitirem a doença ao bebê. "O que existe é o Lupus Neonatal, no qual a mãe transmite ao recém-nascido seus anticorpos, e esses podem causar lesões, que geralmente são reversíveis".

Fonte: Lupus Brasil
Fonte: Lupus Brasil

Principais sintomas:
- Podem ocorrer sintomas inespecíficos como febre baixa, falta de apetite, emagrecimento e fadiga.

- É muito o comum o aparecimento de eritema facial em asa de borboleta, uma mancha avermelhada na região do nariz e laterais.

- As úlceras orais e feridas cutâneas ocorrem em aproximadamente 20 % dos pacientes e são sinais importantes de atividade da doença.

- A alopecia ou queda de cabelo ocorre na maioria dos pacientes.

- Cerca de um terço dos pacientes referem fotossensibilidade, que é uma sensibilidade exacerbada à exposição solar.

- Artralgia (dor na articulação) ou artrite (inflamação na articulação) são as manifestações mais frequentes do LES. Acometem pequenas e grandes articulações, têm padrão simétrico e em geral poupam a coluna. As deformidades são pouco frequentes e as erosões no Raio-X são muito raras.

- As manifestações cardiovasculares mais frequentes são a pericardite, derrame pericárdico e arritmias.

- O sistema respiratório também pode ser comprometido, ocorrendo principalmente derrame pleural e dor pleurítica.

- A anemia ocorre em 50% dos pacientes.

- As manifestações clínicas mais frequentes no sistema nervoso são: convulsões, psicose, Acidente Vascular Cerebral e neuropatia periférica.
Orientações aos portadores de lúpus:

- Outras doenças que podem ocorrer junto com o lúpus devem ser prontamente tratadas, como infecções, hipertensão arterial sistêmica, diabetes mellitus, dislipidemias. 

- É contra-indicada a exposição ao sol nos horários de maior incidência de raios e sempre deve ser usado um filtro solar.

- O paciente deve estar atento aos sinais de recidiva da doença e logo procurar seu reumatologista.

- O controle da doença na grande maioria dos casos é possível.


sidneyrezende.com



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